Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sobrepeso e a obesidade são definidos como o acúmulo anormal ou excessivo de tecido adiposo no organismo, que pode levar a prejuízos para a saúde, sendo considerados hoje, dois dos mais visíveis, porém mais negligenciados, problemas de Saúde Pública em todo o mundo. Sua prevalência vem aumentando de maneira progressiva nas últimas décadas, tanto em países desenvolvidos com em países em desenvolvimento.
A obesidade contribui de maneira efetiva para o desenvolvimento de várias doenças crônicas, incluindo a doença arterial coronariana, a hipertensão arterial sistêmica (HAS), a dislipidemia e o diabetes mellitus tipo 2, levando a um maior risco de complicações cardiovasculares e de morte.
Muitas pessoas costumam se referir à obesidade como um problema de saúde meramente genético, o que muitas vezes leva a entender que não é possível tratar e resolver o problema, já que o indivíduo nasce com ele. Pesquisas científicas comprovam a existência de genes que predispõem os indivíduos (que os possuem em seu DNA celular) a desenvolver obesidade e outras doenças. São genes relacionados a respostas inflamatórias, metabolismo de gorduras e glicose, utilização de energia, etc. Mas o fato é que estes genes sozinhos não são capazes de desenvolver tais doenças sem que haja um ambiente propício. Neste caso, o que determina a existência da obesidade são o excessivo consumo de calorias, gorduras e açúcares, pouca atividade física e outros hábitos de vida não saudáveis que vão ativar a expressão desses genes levando o indivíduo a desenvolver a doença.
Um novo enfoque tem sido dado ao tratamento da obesidade na atualidade. Ela tem sido vista não mais como um simples acúmulo de gordura antiestético e desconfortável, mas como uma doença inflamatória que precisa ser tratada de maneira ampla, por mais de um profissional de saúde e dando atenção a todas as causas possíveis e tratáveis. Síndrome Metabólica tem sido o termo mais utilizado, onde o excesso de peso entra como um dos sinais e sintomas, junto com a resistência a insulina, dislipidemia (colesterol sérico elevado, por exemplo) e hipertensão. Dessa forma a doença pode ser tratada de uma maneira em que múltiplos fatores são investigados, alcançando melhores ganhos para o paciente.
Pessoas que possuem uma predisposição genética à obesidade não precisam mais se conformar com um peso elevado, que lhe traga consequências desagradáveis, tanto para a saúde como para sua autoestima e vida social. É claro que estes indivíduos terão que ter um controle maior da sua ingestão diária de calorias e nutrientes e uma atividade física regular, levada muito a sério. Mas um correto acompanhamento nutricional, baseado num planejamento dietético compatível com suas individualidades, aliado ao tratamento médico adequado, trará melhoras clínicas indiscutíveis e plena satisfação do paciente, sem falar no ganho que ele terá com a prevenção de complicações mais graves como amputações, doenças renais, cardiológicas, hepáticas, etc.
Elisa Gudinho é Nutricionista e atende na Clínica Clinos em Ituberá

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